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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Soberania da Alma



                         A alma sabe que as verdadeiras riquezas não se encontram onde nós as amontoamos:é a alma que nós devemos encher ,não os cofres! Àquela devemos nós conceder o domínio sobre tudo, atribuir a posse de natureza inteira de modo a que os seus limites coincidam com o oriente e o acaso a que a alma, identicamente aos deuses, tudo possua,olhando soberanamente do alto os ricos e as suas riquezas_ esses ricos a quem menos alegria proporciona o que têm do que tristeza lhes dá o que aos outros pertence! Quando se eleva a tais alturas, a alma passa a cuidar do corpo(esse mal necessário!),não como o amigo fiel, mas apenas como tutor, sem se submeter à vontade de quem está sob tutela.
                     Ninguém pode simultaneamente ser livre e escravo do corpo:para já não falar de outras tiranias que o excessivo cuidado com ele nos impõe, a soberania do corpo tem exigências que são autênticos caprichos.A alma desprende-se dele ora com serenidade, ora de firme propósito_busca a sua saída sem se importar com a sorte dessa pobre coisa que para aí fica! Nós não ligamos importância aos pelos da barba ou aos cabelos que acabamos de cortar, do mesmo modo,à nossa alma divina, ao preparar-se para abandonar o corpo, de nada importa a sorte dada ao seu invólucro_se o fogo o consome, se a terra o cobre ou se as feras o despedaçam;para ela, isso tem tanta importância como para o recém-nascido a placenta.


                   Séneca,in "Cartas a Lucílio"
                   Roma Antiga ( -4 -65)
                   Filósofo, escritor
Fonte:citador.pt

6 comentários:

Chica disse...

Belíssima reflexão.Saber valorizar o que realmente importa...beijos,tudo de bom!Ótimo feriado e nova semana,chica

Contos e Encantos num Canto do Mundo... disse...

... um sábio a destrinchar os caminhos da nossa essência, em época tão remota à nossa existência... Uma filosofia a seguir, com toda certeza, Vivian! Um beijo, um sorriso, e tenha um ótimo feriado... Lu...Ü...

Eduardo Medeiros disse...

Eu discordo de Sêneca quanto ao desprezo do corpo diante da "importância" da alma(que para mim é a consciência). A ideia gnóstica de que o corpo é um fardo, um simples invólocro para a alma desrespeita aquilo que temos de mais belo e importante que é exatamente a "casa da alma". Para mim corpo e alma/espírito/consciência fazem parte de um Todo e cada um tem sua importância.

é claro que não estou defendendo os excessivos cuidados com a vaidade da vida em detrimento à harmonia com o espírito; quem souber viver em equílibrio chegou à maturidade.

beijos

RECANTO DOS AUTORES disse...

Vivian,o corpo é o casulo da alma.Necessita ter boa saude,mas concordo que não devemos nos deixar escravizar por ele,porque a maior importancia é a alma que ele carrega!Linda reflexão!Bjs,

Lívia Azzi disse...

Ah Vivian, que texto interessante esse que você postou!

Sêneca compartilha idéias do estoicismo, antiga escola filosófica cujo espírito é muito próximo ao budismo, defende uma atitude de desapego aos bens desse mundo e os budistas chamam de "impermanência". O principal objetivo proposto é saber contentar-se com o presente, amá-lo o bastante para não desejar nada além dele, nem lamentar o que quer que seja. Assim vivemos bem e nos preparamos para uma boa morte...

"Enquanto se espera viver, a vida passa" (Sêneca)

Um beijo!

ETERNA APAIXONADA disse...

Começando a semana em grande estilo! Excelente escolha.
Tenha uma linda semana!
Beijos

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